Festa RAPresenta: Jazz

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Amplexos no Kalimba, Penedo – RJ

No sábado participei do show dos amigos da banda Amplexos no Kalimba, um espaço muito interessante em Penedo, interior do Rio.

Nos últimos tempos venho encontrando esses caras com freqüência em estúdio já que todos eles estão de alguma forma participando da composição do meu primeiro disco, mais encontra-los ao vivo é sempre novo e sempre confortável. Salve Amplexos.

Mais Amplexos: AQUI ou pelo twiter @Amplexos

Discos e ônibus

Eu tinha levantado bem cedo, no horário certo para dizer a verdade (o que é mais cedo do que eu costumo acordar). Estava mais frio que o normal, e isso era bom, o café ainda mais saboroso e até um certo apetite para encarar um pão de sal esquentado no forninho elétrico. O carro estava na garagem, mas por impulso preferi dois ônibus para ir à faculdade. O motivo era simples, queria escutar um disco baixado na madrugada anterior. Foi quando percebi: o ônibus era um ambiente musicalmente rico na minha vida.

Pode soar deprimente pois não estamos falando de charmosos metrôs europeus ou bondes canadenses, mas de um 2151 que tem que encarar uma Avenida Amazonas às 7 da manhã, mas não era ruim de maneira nenhuma. É nessas horas que nossas cabeças se enchem de frases prontas sobre o quanto estaríamos fodidos sem aquelas músicas, aqueles livros e aqueles filmes. É óbvio, besta, clichê mas é bem verdade.

As músicas de “Shame, Shame” do Dr.Dog iam se resolvendo enquanto estudantes e trabalhadores se revezavam nos lugares do ônibus. Na terceira faixa, “Station”, olhava para a Avenida do Contorno caótica e seus pontos de ônibus cheios de gente agasalhada que esfregavam mão contra mão na tentativa de gerar algum conforto. Sorri. Logo depois percebi que ninguém mais estava sorrindo lá dentro. A garota de uns 16 anos do meu lado me olhou e fez algum tipo de careta, mal sabia que daqui a poucos anos ela iria sentir muita saudade de ter como única obrigação estudar para inúteis provas de química.

Na sétima faixa, “I’m Only Wear Blue”, já adentrado na temível Amazonas, em cima de um orgão triste que reverberava bem no fundo de meus ouvidos, eles cantam “I’m all bottled up / Floating in the deep blue / And you’re an open book / Anyone could read you“. É a sensação de estar escutando algo novo que é reconfortante, a nostalgia imediata de 45 segundos atrás quando a faixa tinha começado. Era tão forte que nos próximos segundos eu tirei o Ipod do bolso e recomecei. Já estava íntimo daquela canção, nossa amizade já estava traçada naquele minuto: saberia que poderia contar com aquela melodia pra sempre.

Relembrei clássicos dos transportes coletivos. Um término de namoro seguido de um 205 vazio para o Buritis com “Let’s Bottle Bohemia” do The Thrills. O 9410 do primeiro dia de faculdade com “Ode to Ochrasy” do Mando Diao. “London Calling” do Clash, ainda no discman, no 9106 para o colégio.

Fui tão longe que voltei aos meus 11 anos, quando gravei um fita com o “Warning” do Green Day a partir de um cd pirata comprado por 3 reais perto da casa da minha avó. Foi no walkman emprestado pela minha mãe que fiz uma viagem escolar de 18 horas para conhecer tartarugas no Espírito Santo. E percebi que tudo tinha começado ali. Os ônibus foram fundamentais.

Fonte: O Disco / Autor: Lucas Sallum

Os 5 discos que inspiram meu disco.

Tropicalia ou Panis et Circencis

Para mim nada se compara, nada chega perto, eis a obra maior da musica popular brasileira. No disco surgi como  influência muito em relação ao que o Marcelo Martche vem trazendo nos teclados e synths, a variação de elementos capazes de te fazer se encolher e expandir de novo e se pergunta:

– Oque aconteceu?

Marcelo D2 – A Arte do Barulho

Eu sempre fui fã do D2, sempre fui e admiro e sou defensor do cara apesar de achar que ele nem precisa porque a obra dele já faz isso. Bem, oque eu gosto no D2 é o bom gosto que ele tem nas escolhas das batidas e em quem vai trabalhar com ele, sempre alto nível. Esse disco não é o dele que mais gosto, mais é oque mais me influência pela diversidade de experiências com o samba que ele propõe, e nesse disco oque da unidade é a voz do maluco e como ele se posiciona em cada canção. Gosto muito.

Jorge Ben Jor – Acustico MTV

Meu disco tem muitos lá, lá, láias. E esses lá, lá, láias, a coisa de cantar o samba com os braços levantados pra cima como se fossem orações vem muito do Jorge Ben Jor e desse disco que foi o primeiro dele que eu comprei. O minimo de malabarismo vocal que eu faço tambem é muito inspirado no cara.

Xis – Fortificando a Desobediência

Eu aprendi a fazer Rap imitando o Kamau e o Xis. Esse disco sempre vai ser uma referência para mim, marcou uma época, talvez eu nem fosse MC se não fosse ele.

Domenico +2 – Sincerely Hot

Eu tenho dificuldade de encontrar gente que goste desse disco, acho muito massa, tem o tempo certo das experimentações, traz em vários momentos o samba para um ambiente novo mais ainda assim familiar, sempre ouço e é muito forte para mim, traz de volta quando eu me perco.

Salve! a casa é nossa…

Bem, eu venho tendo dificuldades para me comunicar com quem admira meu trabalho e mesmo que esses se resumam a alguns gatos pingados e amigos, (família não porque família só aparece em dia de show de abertura para o Marcelo D2). Um dia desses uma amiga blogeira reclamou o seguinte:

– Cara, pra que eu vou fazer a manutenção de um blog que tem menos de 20 visitas diárias?

Olha, 20 visitas diárias para mim não é um numero ruim, desde que sejam constantes, mais do que entrar no Blog, se 20 pessoas diariamente sentirem minha musica então eu to muito satisfeito. Mais vamos as dificuldades.

Eu tenho uma enorme dificuldade de síntese, eu não consigo explicar simples e curto (e nem sou igual ao Tom Zé, que é complicadíssimo mais como é o Tom Zé e faz todo o resto com genialidade todo mundo adora), e dai as ferramentas virtuais hoje são muito rápidas, Facebook é muito complicado, não dá eu não. Orkut e Myspace agonizam, Twitter é uma maldade, eita ferramenta bacana mais que só funciona pra quem síntese rápida ou seguidores influentes (eu não tenho), mais twitter eu uso, gosto, acho genial, mais gosto mais de Blog.

Blog é essa coisa bacana, cabe tudo ate oque não devia caber, e ate tenhamos algo melhor e dentro do orçamento essa será minha ferramenta matriz, daqui por resto e do resto pro mundo, do mundo pra mim, enfim…fotos, agenda, vídeos e textos, coisas que eu gosto e mais oque der na teia, coisa seria e coisa não seria, sem linha editorial porque o humor da gente não é linear, evapora como canção pra dar lugar a outros timbres.

No fim me basta agradecer pela atenção, estamos rente.

A ilustração acima foi feita pelo amigo Daniel Barreto, artista gráfico de Volta Redonda que hoje reside no Rio de Janeiro, mais trabalhos do cara clique AQUI ou no Twitter @danielbarreto05 .